

A Revista referência internacional em design e arquitetura convidou a BEL LAR Casa Contemporânea para participar da expedição Casa Vogue na Estrada Sul da Bahia.
Uma imersão que aconteceu entre os dias 19 a 26 de Outubro de 2020, em Trancoso-BA, entre designers renomados no mercado, mestres artesãos e artistas locais para a colaboração e criação de uma coleção de objetos que serão lançados no stand da revista Casa Vogue, na SP Arte, em Abril de 2021.
A imersão artística aconteceu no Uxua Casa, Hotel & Spa. Confira um pouco do que aconteceu neste projeto incrível!

Visita ao ateliê Hugo França.
Hugo é um artista que produz esculturas mobiliárias usando árvores mortas. Percebeu o grau de desperdício na extração e uso da madeira, vivência que pautou seu trabalho. Por isso, suas peças nascem de um diálogo criativo com a matéria-prima, pois, tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração; suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo provocam sua sensibilidade.

Equipe reunida na piscina do Uxua Casa, Hotel & Spa, onde ficaram hospedados durante a expedição, trabalhando com os designers responsáveis e os artesãos da região. O Uxua é uma casa hotel que simboliza a autenticidade e o luxo que apenas uma visita à Bahia pode proporcionar. Metade das casas do Uxua datam 500 anos desde a fundação da vila e foram restauradas com materiais recuperados e técnicas tradicionais pelos artesãos locais juntamente ao designer holandês Wilbert Das.

Evandro é o artesão local, responsável pelas peças feitas em tear no Uxua. Trabalho maravilhoso!

Paula Juchem é uma renomada artista plástica e professora que atua nas áreas de ilustração e cerâmica. Com um estilo muito característico e único traçou seus primeiros passos como ilustradora usando giz de cera e técnicas de colagem. As peças dessa artista são autênticas, originais e transformam a matéria de forma onírica.
Foto: Peter Kempkens

Essa é a casa da Naná Lavander, artista plástica que que tem como propósito o upcycling. Um dos diferenciais do seu trabalho é ressignificar embalagens Tetrapack em objetos de arte.
#artivismo

A artesã Dona Dagmar, aos 76 anos de idade e seus 1,60m, produz vasos de cerâmica de até 2m de altura. E tudo isso sem usar torno, com as próprias mãos.

Peça: “Meninas”
Sérgio Rodrigues – 1978
Peça exposta no Museu das Cadeiras, em Belmonte – BA.
A parceria da BEL LAR com o projeto Casa Vogue Na Estrada expandiu-se pelas estradas de Minas até chegar à terra vermelha do Vale do Jequitinhonha.
Convidamos os arquitetos Carla Cruz do Estúdio Sala, Cristina Menezes, Felipe Soares, Zilda Santiago que juntamente com a empresária Caroline Garcia, Diretora da BEL LAR, percorreram as regiões de Campo Alegre e Campo do Buriti para conhecerem a riqueza da arte original do local. Entenda esta experiência pelas palavras de quem viveu de perto!

Felipe Soares
Zilda Santiago
Cristina Menezes
Caroline Garcia
Carla Cruz
Carla Cruz , Estúdio Sala
Cristina Menezes
Felipe Soares
Zilda Santiago
de Dezembro de 2020 a Março de 2021
O “feito à mão” é uma tendência vanguardista que considera a produção contemporânea artesanal como o vindouro da criação. Diante de uma realidade onde a manufatura industrial é predominante, o artesanato surge como uma opção especial e o mestre artesão como o realizador da arte através do trabalho manual que garante o criativo e o sublime.
Logo, a riqueza cultural do produto feito à mão conta uma história encantadora, criada sem máquinas. Esse detalhe faz toda a diferença e inspira o luxo arquitetônico que se transforma organicamente em obra de arte.

Assim, o projeto Casa Vogue Na Estrada começou pelas areias de Trancoso na Bahia, e junto à BEL LAR expandiu-se pelas estradas de Minas até chegar à terra vermelha do Vale do Jequitinhonha. Essa experiência propõe o confronto e a imersão entre inúmeras faces das brasilidades e a valorização da arte popular.
A troca de experiências entre profissionais do design e arquitetura, acostumados com a polifonia caótica das grandes cidades e os artesãos, geram raízes e criam frutos, pois a vivência do outro traz diferentes pontos de vista e novas epifanias criativas.
Portanto, da matéria-prima à peça, a arte se faz presente de forma orgânica e se mostra por meio da beleza vernacular como uma linguagem antiga, que prioriza técnicas construtivas tradicionais e o uso de materiais locais, como a terra crua e suas diversas tonalidades.

Fotografias registradas por Breno da Matta. Fotógrafo mineiro, que nos acompanhou nesta expedição com seu olhar observador de cada detalhe que só nos fez apaixonar ainda mais pelo trabalho dos artistas locais.
Azulejos em produção na Divina Terra.

Dona Rita artesã do Campo Alegre.

Retoques finais feitos pelo artesão.

Forno da dona Rita.

Campo Alegre.

Guardião do sítio de Zezinha.

Bananas do Vale.

Para finalizar este projeto, a BEL LAR realizou uma Experiência de Venda das obras da exposição, com o objetivo doar todo recurso para as Associações das artesãs do Campo Alegre e do Campo Buriti no Vale do Jequitinhonha/MG, que totalizam 88 artesãs, afim de contribuir com a sustentabilidade da arte popular do Vale, patrimônio do estado de Minas Gerais.
Período da venda: 28 de Fevereiro a 21 de Março.
Faça seu lance pelo Whatsapp abaixo e fale direto com a Fernanda Okano.
Além de adquirir uma peça de arte maravilhosa você poderá contribuir com a sustentabilidade da arte popular do Vale, patrimônio do estado de Minas Gerais.

ESPERANÇA (peixe)
Autor: Zé Da Cerâmica
Local: Trancoso – BA
O artista Zé Da Cerâmica materializa em figura de peixe, um dos seres das águas baianas de Iemanjá, a esperança e o alimento do seu povo.
Medidas: 25x44x18cm
PADROEIRA
Autor: Zé Da Cerâmica
Local: Trancoso – BA
Em 1717, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada no rio Paraíba Do Sul/SP por dois pescadores. A obra reflete a profunda religiosidade do brasileiro capturada pelo artista, relacionando-a à benção em forma de água, que trouxe a Santa e que traz vida e arte para todos.
Medidas: 30x24x18cm


OBJETOS DO CASARÃO PEDRO BAIANO
Local: Trancoso – BA. O Casarão Pedro Baiano possui mais de 300 vasos e alguidares antigos em cerâmica, selecionados em toda a região Nordeste. Esses refletem a essência do rústico que ganha vida por meio de suas peças originais, mas funcionais. Medidas: 13x40x40cm (vaso), 21,5×35,5x45cm(caixa) e 55,5x180x23cm(banco).
PRATO
Autor: Casarão Pedro Baiano
Local: Trancoso – BA
O utensílio, côncavo e circular, objeto versátil cuja finalidade pode assumir uma farinheira ou até mesmo funções decorativas. O acabamento em ranhuras esculpidas na superfície externa confere volume á obra.
Medidas: 57x57cm


NUBENTE
Autora: Zezinha
Local: Campo Buriti – MG
A escultura, pintada com pigmentos extraídos de minérios do Jequitinhonha e aplicada antes da queima, adquire tons terrosos inigualáveis. A roupa da noiva, combina com os delicados adereços, resultando em peças de decoração singulares.
Medidas: 63x25x25cm
SAPO BOI
Autora: Zezinha
Local: Campo Buriti – MG
Criatura híbrida demonstra a imaginação que tangencia o lúdico, embora se destaque que o boi é objeto da pecuária e símbolo folclórico brasileiro, enquanto o sapo é um dos protetores da natureza, compondo a imagem antítese da força e da fragilidade.
Medidas: 45x27x26cm


BULE
Autor: Dona Rita
Local: Campo Alegre – MG
Releitura de um clássico feito em argila pintada de preto com pigmentação natural, alia funcionalidade e design obtendo-se um conjunto que remete às memórias afetivas do cotidiano mineiro.
Medidas: 25x22x13cm (bule) e 6x11x86cm(xícaras)
NATIVA BRASILEIRA
Autora: Zezinha
Local: Campo Buriti – MG
A simbologia dessa escultura abarca os povos originários da América, sem uma etnia específica. A artista usou especificidades de muitas tribos, criando a imagem feminina da legítima representante da Mãe Terra, homenageada numa imagem.
Medidas: 37x27x22cm


COBOGÓ MÃO
Autores: Irmãos Campana
Produzido por: Divina Terra
Local: Turmalina – MG
Tijolo desenvolvido na região, o cobogó, cujo desenho interno representa o formato de uma mão, é símbolo concreto das manifestações contrárias às tragédias causadas no Estado, decorrentes do rompimento da barragem em Mariana – MG, ocorrido em 2015.
VASO
Autora: Casarão Pedro Baiano
Local: Trancoso – BA
Vaso arredondado com base estreita e boca larga. O acabamento em ranhuras esculpidas na superfície externa confere volume à obra.
Medidas: 33x60cm


CASA VOGUE EDIÇÃO DEZ/2020
“Aqui a terra é seca e por isso veneramos cada pingo de chuva”.
Essa frase, de autor desconhecido, simboliza o surpreendente Vale do Jequitinhonha, onde a argila vermelha, mesmo parecendo árida, típica do sertão, insiste em produzir fartura através da tradição artesanal que chega à contemporaneidade
Inspirada pelo artesanato arquitetônico, a Expedição Casa Vogue Na Estrada e a BEL LAR Casa Contemporânea convidaram os arquitetos Zilda Santiago, Cristina Menezes, Felipe Soares, Carla Cruz (Estúdio Sala) e a empresária Caroline Garcia, diretora executiva da BEL LAR, a saírem do contexto urbano de Belo Horizonte para viver o artesanato do interior mineiro, repetindo a bem sucedida experiência de 2018. Em 2020, a aventura foi marcada pela imersão cultural e artística em Turmalina, Campo Alegre, Campo Buriti e Vale do Biribiri, todos no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A região é mundialmente conhecida pelo artesanato, patrimônio imaterial do Estado, criado com barro, num estilo único e característico do sertão regional.
A BEL LAR, atenta às manifestações artístico-culturais das Minas Gerais, valoriza a arquitetura contemporânea e artesanal, enfatizando a riqueza do produto feito à mão e que conta uma história encantadora. Esse trabalho é um diferencial que inspira o esplendor arquitetônico e se transforma em obra de arte. Exemplo disso é a Divina Terra, expoente da criatividade local, que a partir da terra, da madeira e tudo o que vem delas, inclusive os resíduos, cria com um design sustentável, exclusivos revestimentos luxuosos. Aliás, a cerâmica vermelha é característica da região e está presente nos famosos cobogós e ladrilhos da fábrica. O mais conhecido é o Cobogó “Mão”, criado pelo Irmãos Campana. cujo desenho interno representa o formato de uma mão, como um simbólico manifesto às tragédias causadas no Estado, decorrentes do rompimento da barragem em Mariana – MG, ocorrido em 2015.

Na visita de 2020, os arquitetos puderam aprender ainda mais sobre essa forma de arte orgânica e beleza vernacular, feita com técnicas construtivas tradicionais e uso de materiais locais, como terra crua, palhas e fibras naturais. Segundo Cristina Menezes “a fabricação da arte é encantadora, pois se sente a pesquisa e a fé no trabalho”.
O barro está presente na criação dos grandes artesãos do Campo Buriti e Campo Alegre. Ali o futuro do criar materializou-se no encontro entre artífices e arquitetos, onde afloraram as várias faces das brasilidades e mineiridades. Nas palavras de Zilda Santiago que descreve a experiência como “Uma explosão de criatividade nas mãos, cobertas de barro, de muitas mulheres guerreiras do Jequitinhonha.” Tal sensibilidade ímpar que emociona, foi vista em uma das visitas feitas ao ateliê de Dona Rita, artesã das mais conhecidas da região, sobretudo pelo estilo autêntico e plasticidade única. A partir do barro e do pilão, dá vida a objetos com design antropomórfico, inspirado no folclore, que influencia o artesanato brasileiro e mundial. A matéria-prima cria vasos com feições humanas, bonecas e animais que vão além do tradicional conceito artístico do Vale, pois possuem volumetria e coloração que pertencem somente ao estilo da artista. Nem parece que no início, a ocupação de artesã surgiu como solução à pobreza, pois o domínio técnico e a capacidade inventiva tornaram-na uma artista dedicada e valorosa. Sobre a expedição, Carla Cruz afirmou que “foi uma grande experiência vivenciar as artesãs dando vida a objetos feitos através do barro e transformar a arte espontânea em peças exclusivas e de muito valor para nossa cultura e região.”
Dentre outros artesãos talentosos, Zezinha, destaca-se pela beleza, estilo, técnica e acabamento diferenciados em suas bonecas sofisticadas e joviais, retratadas como mães, noivas, grávidas, que humanizam o jeito de viver o artesanato. A pintura, feita com pigmentos extraídos de minérios locais e aplicada antes da queima, adquire tons terrosos inigualáveis e as roupas, em cores alegres, combinam com os adereços, chapéus e sapatos, resultando em peças de decoração singulares, que segundo Caroline Garcia “é conexão com ancestralidade, que é simples, mas ao mesmo tempo muito rica culturalmente e em sabedoria popular”.
Dessa forma, a troca de experiências entre profissionais da arquitetura, acostumados com a polifonia caótica dos grandes centros urbanos, e os artesãos turmalinenses em sua vida pacata, mostra que a criação resulta de inovação com sentimento. Todos são profissionais que fazem arte, a partir de vivências e ambiências diferentes, mas inspiradoras de novas epifanias criativas. Portanto, contrariando a realidade onde a manufatura industrial predomina, o artesanato, através do trabalho manual dos mestres, surge como alternativa, tornando-se algo a ser aprendido pelos arquitetos contemporâneos, principalmente os conceitos de tradição e simplicidade na prática arquitetônica. Como disse Zilda, ‘‘passear por Turmalina foi como estar num museu de arte popular.”
Os profissionais de Belo Horizonte poderão conhecer um pouco desta experiência na exposição que será inaugurada na BEL LAR Casa Contemporânea, com apoio da Cerâmica Portinari, em 10 de dezembro de 2020. Felipe Soares será o arquiteto responsável pela expografia.
Projeto: Casa Vogue Na Estrada
Realização: BEL LAR Casa Contemporânea
Apoio: Cerâmica Portinari
Expografia: Felipe Soares
Fotos: Breno da Matta
Vídeo: Carlos Queirozi
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